Há
muito muito tempo, quando os provérbios pertenciam a família de palavras que
continham apenas um significado (significado de gramática), um destes muito
famoso decidiu por si mesmo mudar o rumo das coisas.
Para
realizar o seu desejo pediu a um escritor que o reescrevesse de outro jeito. O
provérbio que se chamava “A voz de povo é a voz de Deus” passou então a ser
questionado pelo escritor-Que Deus? Que povo? –perguntava o escritor. Como se não
bastasse, o escritor decidiu colocá-lo em paralelo com outros exemplos não
muito agradáveis em que a voz de povo não pareceu ser a voz de Deus. “Um dia o
povo dia o povo escolheu Stálin e Hitler ao poder da União Soviética e Alemanha
respetivamente; não obstante isso o povo preferiu a prisão de Cristo Jesus
filho de Deus em favor da libertação de Barrabas, criminoso e assassino;”
pensava o escritor.
Com
o intuito de mais escandalizar o proverbio, o interrogou novamente-Que Deus?
Que povo? O que beijou Stálin? O que delirou Hitler? O que soltou Barrabas?
O
pobre proverbio que a cada momento ficava com o seu significado mais e mais
questionado implorou ao escritor que parasse por aí. Mas o homem estava tão
empolgado com o seu brilhante trabalho que nem se importou com a súplica do
pobre coitado.
Em
sua mais árida inspiração e delírios, o escritor por fim pergunta- Será que
Deus já não se teria se enforcado em suas próprias cordas vogais?
Esta
lição de vida ensinou ao proverbio que as coisas são como são, não adianta
muito tentar mudá-las porque podem ficar pior. Ou não?