Linguística, Literatura, escrever, ler, pensar, refletir, livros, o que seria da minha vida sem isso tudo, não posso nem prosseguir com a lista, violão...nossa, não dá! Mas enquanto isso partilho os meus escritos, sejam eles acadêmicos ... ou literários...
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Resumo do capitulo 3 da obra compreendendo a leitura de Frank Smith
SMITH, FRANK. Compreendendo
a leitura: uma análise psicolinguística da leitura e do apreender a ler / Frank
Smith; trad. Daise Batista. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
É
importante salientar, ainda no início, que este capitulo de livro aborda a
questão da Informação e Experiência, o autor começa falando que a informação
reduz a incerteza. Quando essa incerteza é reduzida o leitor ou observador, ou
ouvinte é levado a tomar uma decisão. A informação pode ser medida, mas a
compreensão não, ela não possui dimensão ou peso, ela não é oposto a incerteza,
mas sim confusão. A compreensão não significa que toda a incerteza foi
eliminada.
No
que diz respeito a erros e ruídos, Smith diz que, a compreensão não vem com uma
garantia incondicional. A maneira como entendemos algo agora pode provar ser
inapropriada mais tarde. O que pode ser compreensível para um, pode não ser
para outro. O que é informação é informação para você, pode não ser para mim.
Ele diz ainda que ruído é um termo técnico para um sinal ou uma mensagem que
não transmite informação, não pode ser facilmente ignorado, não é uma ausência
de informação, mas ao contrário, uma distração que pode aumentar a incerteza.
O
Autor diz que com relação a relatividade da informação e da compreensão, o que
é chamado de informação nem sempre pode ser medido. Os fatos são chamados de
informação, mas a qualidade de informação dos fatos depende do conhecimento
anterior da pessoa que a recebe. Por outro lado, a informação que somente serve
para confundir a mente é, na verdade, ruído. A informação existe somente quando
reduz a incerteza, que é relativamente ao conhecimento e finalidade do
indivíduo que a recebe. E a compreensão também depende daquilo que os
indivíduos já sabem e necessitam ou desejam saber.
Este
capitulo nos informa que a redundância existe sempre que a mesma informação
está disponível em mais de uma fonte, quando as mesmas alternativas podem ser
eliminadas em mais de um modo. Não existe qualquer utilidade da redundância no
texto se não reflete algo que o leitor já sabe, quer envolvendo a estrutura
visual, ortográfica, sintática ou semântica da linguagem escrita. A redundância
representa a informação que você não precisa, uma vez que já a possui.
Quanto
a limite de utilidade da informação, o texto nos mostra que: “quanto mais
lutamos para evitar o erro, menores são as probabilidades de estarmos certos.
Sempre temos uma opção para o quanto estaremos errados.” Nesse contexto entra a noção de critérios, sendo
a quantidade de informação de que os indivíduos necessitam antes de chegarem a
uma decisão. Quando mais frequentemente você deseja estar certo, mais você deve
tolerar o fato de estar errado. O autor termina o capitulo falando das duas
razões fundamentais para a leitura. Fala também da mal utilização da palavra
“informação”.
Relação entre conceitos : língua, linguagem, linguística, sociedade, cultura e pensamento.
A
língua é um fenômeno social, assim sendo, ela está inserida numa sociedade,
essa sociedade tem uma cultura, que por sua vez tem um jeito diferenciado de
pensar, ou seja, seu pensamento é particular distinto das outras culturas, que
expressa esse pensamento através de uma linguagem especifica, com seus mais
variados desafios linguísticos e culturais e sociais.
Este fenômeno social permite o homem que está
inserido numa sociedade aprender a falar, pois sabemos que este, quando nasce
está programado para falar, mas o acionamento desse potencial, inscrito no seu
código genético, não se manifesta numa situação de isolamento, mas se
desenvolve espontaneamente numa comunidade de falantes. Essa aptidão para a
linguagem é um traço genético, mas a língua (materna) só se adquire quando o
indivíduo está inserido numa comunidade ou sociedade. Notamos que nos casos das
crianças selvagens (que cresceram sem contato humano): todas apresentam um
atrofiamento da aptidão da linguagem. As condições sociais influem no modo de falar
dos indivíduos, gerando certas variações na maneira de empregar uma mesma
linguagem.
A
língua é uma marca de identidade de um povo, e a fala é a afirmação desse povo,
com estas o povo exerce a sua cidadania, opinião e ideias, repassam e
transmitem o seu pensamento. William Labov atribuir, em sua perspectiva,
valores sociais às regras linguísticas, perfazendo uma variação de determinado
aspecto da língua, mostrou que os indivíduos aprendem sua função social e
adquirem sua identidade cultural através desta. Falou ainda que ao nascer, o
indivíduo é inserido num contexto socioeconômico cultural pré-existente e, à
medida que cresce, participa de um processo de socialização que o transforma
num falante de uma determinada variedade da língua, sob influência do meio
social em que vive.
Durante a fala do indivíduo, sua
estrutura social é reforçada, formando, assim, a identidade cultural peculiar
do indivíduo, visto que seu modo de falar é identificado com a maneira de viver
do grupo social e da localidade onde mora. Nesse contexto a linguística entra
com as suas mais particulares formas de estudar a língua e a sua variação de
acordo com a sociedade e cultura onde esta está inserida.
Labov
reforça isso quando diz que durante qualquer estudo de uma comunidade linguística,
podemos constatar efetivamente a existência de uma diversidade ou de uma
variação, de modo que a característica desta comunidade seja sua peculiaridade
na forma de falar, chamada pela Sociolinguística de variedades linguísticas.
“Ela
[a língua] é mesmo por excelência o índice das mudanças que se operam na
sociedade e nesta expressão privilegiada da sociedade que se chama a cultura.”
Esta frase entre aspas faz parte de “Estrutura da língua e estrutura da
sociedade”, trabalho em que Émile Benveniste (1974) discute,
fundamentalmente, questões relacionadas ao estudo dessas grandes entidades:
língua e sociedade. Impossível se torna separar o termos: língua, linguagem,
cultura, sociedade, pensamento e linguística, pois ambos os termos estão
interligados na sua essência. Não se pode falar de um sem que outro apareça
para dar a sua contribuição.
Mas
podemos concluir que a linguística consegue elencar esses termos num só
contexto, pois entendemos que os membros de uma comunidade da fala podem
possuir um repertório linguístico que está propício à variação, dependendo do
nível escolar em que se encontram, assim sendo o pensamento desse povo estará
expresso, no seu modo de falar, agir e de se comportar, carregados de sua
cultura, linguagem e conceitos sociais.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Azelú e eu
Um
dá són uê lancá[1]
Algumas
frases me definem, outras nem tanto. Poderia dizer que sem mim nada podeis
fazer. E é verdade, permito que muita coisa venha a existência. A minha amiga
Azelú é uma delas. Vivo na mata escura, mas não sou solitário, posso sentir o
vento passando por entre os cabelos lisos da minha mãe, e lá do alto onde fico
tomo nota de tudo que acontece, broto das entranhas frescas da minha mãe, tenho
muitos irmãos, e muitos descendem de mim. Tenho muitos olhos e eles me permitem
contemplar tudo.
Mas
hoje, particularmente hoje, não vou contar a minha história, não vou mais
ofuscar o brilho do outro. Vou contar a história da Azelú, da menina
amarelo-esverdeada, da minha mais que querida amiga, dos nossos caminhos
inseparáveis, da travessia que os meus diferentes tons de vermelho fazem ao
escorrem feito sangue nas veias dessa menina-mulher.
Lembrei-me
das nossas conversas e transformações em altas temperaturas, dos momentos
passados juntos, dela me dizendo que sem mim não existiria, lembro-me também da
minha mãe, umas das mulheres mais belas do mundo. Balançando o seu cabelo, e
que cabelo, longos e lisos, lembro-me de tudo, como se fosse hoje.
Lembro-me
que Azelú e eu andávamos pelas panelas de barro, nas nossas mais diversas
fusões com ervas medicinais, da fumaça cheirando a ossami e pão de pimenta, e
da curiosidade incontrolável dos vizinhos em nos saborear, nossa exagerei, na
verdade de nos contemplar. Lembro-me da aversão da Azelú ao alho, nunca entendi
o porquê.
Quando
Azelú ia ser preparada eu ficava de vigia, observando a fruta-pão sendo
cortada, a couve, o maquêquê, as berinjelas, o quiabo, e mais pensadas e
arquitetadas folhas medicinais, eu era o último a ser colocado, na verdade
quase isso, e quando eu era acrescentando deixavam a tampa da panela aberta,
diziam que é para não cheirar a azeite.
Depois
de muito fogo, e de muito esperar, vinha o peixe fumado. Hum! Como eu gostava
desse cheiro, cheiro ao fumo, à folha de bananeira, à folha de mosquito, nossa
cheirava a tudo, e as galinhas tentando roubar ou fisgar migalhas de peixe, ora
badejo, ora atum, e nas mais frequentes vezes o voador panhá. Hum! Tempos bons.
Demorava
muito para Azelú ficar pronta, acho que é por ela ser muito linda, as crianças
ficavam impacientes por esperar. Algumas para se entreterem assavam bananas na
brasa, outros preferiam o caroço, mas faziam tudo para que o tempo passasse
depressa.
Depois
de horas, sim muitas horas, as vezes de manhã a tarde, tinha que ser perfeita,
por isso demorava tanto, lá estava ela toda reluzente no prato acompanha das
mais diversas bolinhas de angu. Em seus tons de vende e amarelo. Acho que o
verde das folhas e o meu vermelho é que permitia a existências dessa cor tão
linda, é por isso que eu a chamo de Azilú. Porque somos juntos e misturados, a
mistura de azeite no Calulú.
By: Jessica Bandeira
[1]
Advinha santomense que significa basicamente: caí meus olhos arrancaram. Que se
usava para se referir ao adim, fruto que dá origem ao azeite da palma ou olho
de dendê.
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