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segunda-feira, 10 de março de 2014

Reescrita do provérbio revisto de Newton de Lucca em narrativa




Há muito muito tempo, quando os provérbios pertenciam a família de palavras que continham apenas um significado (significado de gramática), um destes muito famoso decidiu por si mesmo mudar o rumo das coisas.
Para realizar o seu desejo pediu a um escritor que o reescrevesse de outro jeito. O provérbio que se chamava “A voz de povo é a voz de Deus” passou então a ser questionado pelo escritor-Que Deus? Que povo? –perguntava o escritor. Como se não bastasse, o escritor decidiu colocá-lo em paralelo com outros exemplos não muito agradáveis em que a voz de povo não pareceu ser a voz de Deus. “Um dia o povo dia o povo escolheu Stálin e Hitler ao poder da União Soviética e Alemanha respetivamente; não obstante isso o povo preferiu a prisão de Cristo Jesus filho de Deus em favor da libertação de Barrabas, criminoso e assassino;” pensava o escritor.
Com o intuito de mais escandalizar o proverbio, o interrogou novamente-Que Deus? Que povo? O que beijou Stálin? O que delirou Hitler? O que soltou Barrabas?
O pobre proverbio que a cada momento ficava com o seu significado mais e mais questionado implorou ao escritor que parasse por aí. Mas o homem estava tão empolgado com o seu brilhante trabalho que nem se importou com a súplica do pobre coitado.
Em sua mais árida inspiração e delírios, o escritor por fim pergunta- Será que Deus já não se teria se enforcado em suas próprias cordas vogais?
Esta lição de vida ensinou ao proverbio que as coisas são como são, não adianta muito tentar mudá-las porque podem ficar pior. Ou não?






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