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terça-feira, 7 de julho de 2015

Crítica ao texto degraus da ilusão


A educação tem sido o melhor caminho para vencer a pobreza, o consumo descontrolado da população e a ignorância, pois uma população letrada estará melhor preparada para se defender dos ataques das Mídias e das influências dos outros sobre si. É importante salientar que tais flagelos (a pobreza e consumismo) fazem parte da vida do povo, mas estes devem afoga-los e não se afundarem neles feito pedras no rio.

É certo que nem todos os letrados cresceram socialmente, entretanto está neles a maior probabilidade de crescimento social. Está neles a grande capacidade de escolher entre o certo e o errado, de ponderar e de privilegiar o necessário do supérfluo.

Enquanto não houver uma educação para todos, a sociedade caminhará a passos largos para a perdição e gastos desnecessários em coisas banais, porque os pais não terão um motivo forte para economizarem o seu dinheiro, nem tão pouco se preocuparem com educação dos seus filhos, pois esta lhes foi negada. Como disse Tom Zé no Palavra (En) cantada[1] “uma pessoa que não sabe ler passa o tempo todo falando, olhando, pensando e pintando cultura”, podemos acrescentar imitando os outros.



[1] Palavra (en) cantada: documentário sobre a poesia, música, literatura… com a participação de varios “ídolos” da literatura brasileira como Adriana Calcanhoto, Chico Buarque, Tom Zé, Luís Tatit, Arnaldo Antunes entre outros.

Doce Amargo


Trabalho, trabalho, trabalho e mais trabalho
Dor, cansaço, sofrimento, angustia e mais trabalho vem
Parece que não mais acaba esse trabalho,
E com ele... a amargura da vida também

Trabalho prazeroso, doce trabalho
Mas quando obrigado, trabalho amargo
Trabalho forçado que lágrimas rolar faz
Lágrimas que antes salgada e agora amarga

Como o salgado amargo se torna,
O doce também amargura a vida,
Do homem que com ele trabalha.
Pois dura é a vida daquele, que escravizado é obrigado
Com o doce trabalhar até que se torne amargo.

Na fadiga da vida, nos caminhos trilhados
No mundo perdido, no sonho desejado
Encontramos amargurados no trabalho desgraçado
O homem obrigado a sofrer abandonado
Numa terra sem afago onde o doce se torna amargo.

Jessica Bandeira


A casa da vovó Beth


Podia ser em qualquer dia da semana, mas sempre sempre no finalzinho da tarde, eu costumava entrar na casa da minha avó, mas naquele dia eu estava diferente, pois eu tinha que tomar uma decisão muito importante que mudaria a minha vida.
A casa da minha avô era grande, tinha uma sala enorme, três quartos e um terreno que abraçava a construção antiga. Aquele lugar significava muito para mim era como se tudo começasse ali. Primeiro foi minha tia Zeneida, irmã mais velha do meu pai, que por motivos de não querer sair de perto da mãe, casou e fez seu puxado integrando os dois quartos da direita e tempo depois foi minha outra tia Flor, irmã mais nova de meu pai, ela era muito querida e meu pai foi dando logo um jeito, pois quem casa quer casa, de fazer um o ninho de amor para ela e seu marido, depois do casamento, por todo terreno à esquerda da casa. Por fim foi a vez de Papai, que construiu nosso lar em cima da casa de Vovó, fazendo uma parede, dividindo a sala. A casa dela é como se fosse a base de nossas vidas e de nossos lares, tudo tinha raiz naquele lugar.
Pensar em ir embora me trazia muita insegurança, pois ali naquela casa, parte de tantas outras, era onde eu me sentia mais seguro e feliz.  A casa de Vovó tinha muita história tudo alí contava um pouco da minha vida. A casa era escura a pouca luz que entrava não vencia o corredor, o chão de barro batido, logo foi substituído por uma camada de cimento, mas continuava úmido, o cheiro de mofo não irritava meu olfato; causava um pequeno e gostoso espirro. Como é bom o gostoso o aconchego da minha vozinha que abraçado à ela toda família vive.
Estudar fora sempre foi meu sonho e parece que agora só dependia de mim a decisão de partir e seguir a vida longe da daqueles que me fizeram o que eu sou hoje.  Eu olhava para aquele lugar como quem procura resposta, precisava me decidi. Havia um pote gigantesco que mantinha a água fresca e fria, também servia de encosto para sapatos grandes e roliços. A bateria velha e enferrujada sustentava panelas pretas de tisna e amassadas na borda. O armário de guardar louças, velho, surrado, guardava todo tipo de coisa, papel, mantimento, álcool, pacotes de vela e o diabo a quatro era uns dos meus lugares preferidos para ir a busca de biscoitos. O engraçado é que nunca perdia aquele cheirinho de balcão velho de bodega. O tamborete, que estava no canto da sala servia de altar com terços em pendurados e santos milagreiros de toda entidade, a vovó nos colocava de joelho sempre lá pra rezar pela manhã e antes de dormir. Quando a avó tinha algum problema recorria à eles e os milagres surgiam. Na cozinha o fogão à lenha deixava o canto da parede preto. Mas era ele que fazia as nossas refeições todos os dias. Embebia a farofa feita de farinha d’agua com caldo de galinha em uma fumaça gostosa, que deixava o gosto em tudo, no café, no macarrão, no próprio gosto. O banheiro que agora fazia parte da arquitetura, tinha uma cortina azul, muito florida, como porta. As vezes o cheiro era tão forte que fazia escorrer lágrimas nos olhos. De volta ao quarto, redes penduradas pareciam gotas petrificadas ornamentando o pobre cenário. Baratas, haviam muitas baratas de vez em quando uma sentava sobre minha cabeça, eu desviava estrategicamente girando como um gato, isso deixava visita mais emocionante. Era nosso jeito de brincar. Hoje em dia, meu tio, irmão mais novo do meu pai mora sozinho na casa. Ele bebe muito, sempre sai e deixa a porta destrancada. Ainda bem que na casa da vovó nunca teve nada de valor. Eu não gosto de cemitério prefiro entrar lá na casa da vovó. Quando estou triste, zangado, feliz, não importa como sempre que tenho algo pra decidir vou lá e decido tudo.


Jessica e Hallen

jESS