Olá, esse trabalho foi escrito quando eu me encontrava no sétimo trimestre do curso de Letras, hoje já sou graduada. Não mudei nada do trabalho, justamente para manter esse olhar que eu tinha na época em que escrevi. Caso goste do trabalho, ou ele te ajude de alguma forma, deixe seu comentário, sugestões, críticas, etc. Com a sua contribuição vamos crescendo juntos. Ótima leitura para você!!
As contribuições filosóficas para as
práticas educacionais e pedagógicas da Unilab.
Esse
ensaio pretende mostrar algumas contribuições filosóficas e não só consideradas
importante para às práticas educativas e pedagógicas na Unilab. Uma vez que
esta se trata de uma universidade multicultural, que acarreta um cuidado e uma
prática especial nas suas abordagens.
Sendo
a Unilab uma universidade internacional, cearense e baiana, e ao mesmo tempo
brasileira, com diferentes culturas e tipos de pessoas, num misto de nacionais
e estrangeiros, tendo que viver e (con) viver todos os dias com esta
multiculturalidade, incentivando o respeito e a integração de uns com os
outros, aprendendo ou pelo menos tentando aprender mais sobre ambas as partes,
é importante, de vez em quando ou sempre, tentar perceber como essa (con)
vivência acontece. Se o almejado respeito às diversidades raciais, de género,
social, cultural e não só são alcançados.
Por
esses e outros motivos, esse ensaio visa mostrar e analisar as questões(contribuições)
filosóficas, que são muito importantes para a integração, respeito,
aprendizado, ensino e socialização na Unilab, tendo em mente que a integração
não se restringe apenas em conhecer uma pessoa ou uma cultura, mas sim em duas
pessoas ou culturas diferentes se juntarem para desenvolver um bem comum para
ambas as partes. É preciso entender que
importância tem a filosofia, assim como: a sociologia, a história, a
antropologia na educação dessa comunidade.
Assim
sendo, apresentaremos neste ensaio o pensamento de alguns pensadores africanos,
brasileiros, e não só, e como eles poderiam ajudar com as suas contribuições
nessas questões. Pois é de extrema importância que as abordagens educativas da
Unilab sejam adequadas às diferentes sociedades nela existente, uma vez que as
tentativas de se suprir algumas brechas de desigualdade social, de vez em
quando, ou quase sempre, acaba-se sufocando determinada sociedade (das muitas
vezes sociedades minoritárias), em detrimento da outra.
O
respeito as culturas, ao meio social, às diversidades e variações linguísticas,
oportunidades iguais às diferentes sociedades, e compreensão das diferenças
também se fazem importantes. Nesse ensaio, tentaremos mostrar e analisar estas
questões, e como elas podem melhorar estas práticas pedagógicas e educativas.
Seria
de extrema importância se os educadores, principalmente os professores
universitários parassem por um tempo e pensassem em abordagens alternativas
para um ensino melhor. E refletissem sobre a melhor abordagem. Mas para isso
seria de igual modo importante saber que não existe só uma abordagem boa, mas
várias que se adequam uma a outra.
Nesse
trabalho de reflexão nada seria de melhor ajuda do que a filosofia. Uma vez que
a educação é a formação de pessoa e sua integração, a reflexão crítica sobre o
sentido único desta, as implicações pedagógicas e escolares para a vida humana
(pessoas) precisam ser feitas com abordagens educacionais de contribuições e
reflexões filosóficas. Como disse Piaget[2],
“é o professor quem ajuda o aluno a construir o seu conhecimento”. Paulo Freire[3]
reforça, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades
para a sua própria ou sua produção”
Desse
assunto Dermeval Saviani, no capítulo 1 “A filosofia na formação do educador”
da obra: Educação: do senso comum à consciência filosófica para a compreensão
dos fundamentos filosóficos da Educação, traz algumas contribuições que são de
extrema importância:
...
a filosofia desempenha papel imprescindível na formação do educador. Tanto
assim é que a Filosofia da Educação figura como disciplina obrigatória do
currículo mínimo dos cursos de Pedagogia. Mas em que se baseia essa importância
concedida à Filosofia? Teria ela bases reais ou seria mero fruto da tradição?
Será que o educador precisa realmente da filosofia? Que é que determina essa
necessidade? Em outros termos: que é que leva o educador a filosofar? Ao
colocar essa questão, nós estamos nos interrogando sobre o significado e a função
da Filosofia em si mesma (Saviani 2007, p.13)
Nesta
ideia Saviani faz as pessoas (educadores e professores) pensarem sobre a
importância da filosofia para a educação do professor, e a real importância
desta. Sendo a filosofia a reflexão crítica, radical, sistematizada da
compreensão sobre o sentido e o significado das coisas, das ações, do mundo e
do que existe, nada melhor do que se basear desta para uma melhor prática
pedagógica.
A
primeira coisa que precisa ser feita nesse sentido, seria conhecer o real
problema que a educação enfrenta nesse momento, no caso mais específico a
Unilab. O autor supracitado deixou claro que é importante entender a noção de
problema, a sua correta definição e empregabilidade “Qual é, então, a essência
do problema?” (p.13). Fala do perigo do problema passar despercebido perante
olhos desatentos. “Se o problema deixou de ser problemático, cumpre, então,
recuperar a problematicidade do problema” e que é responsabilidade da filosofia
buscar essa verdadeira essência da palavra.
Como disse, Mário Sérgio Cortella, a
“filosofia é a ciência dos porquês”, assim sendo quando essas “questões” são
respondidas elas deixam de ser filosofia. Mais
uma vez estamos perante a filosofia, que ajudará na compreensão e resolução das
muitas questões educacionais, que ainda não foram respondidas e das que
surgirão. Mas para isso é necessário que se conheça o “problema” relacionado as
questões pedagógicas da Unilab. Saviani reforça isso:
Esta
é a tarefa da ciência e da filosofia. Ora, captar a verdadeira concreticidade
não é outra coisa senão captar a essência. A essência é um produto do modo pelo
qual o homem produz sua própria existência. Ele não deve tomar como essência
aquilo que é apenas fenômeno, isto é, aquilo que é apenas manifestação da
essência. (Saviani, p. 13)
Entende-se
aqui que a essência do problema é a necessidade. Quais seriam as grandes
necessidades presentes na Unilab? Será que alguém já parou para pensar? Seriam
essas necessidades importantes? E finalmente, essas necessidades existem,
interessam alguém? Saviani afirma: “Algo que eu não sei não é problema; mas
quando eu ignoro alguma coisa que eu preciso saber, estou diante de um
problema” (Saviani p.14).
Está
claro aqui a necessidade da universidade em conhecer as possíveis questões
(facilitadoras/dificultadoras) relacionadas a integração dos seus membros, ao
ensino e aprendizagem nesta, e não somente deixá-las passarem despercebidas, e
mal resolvidas, pois em determinado momento, elas poderão ganhar proporções
gigantescas, com resoluções mais difíceis. Podemos referir alguns deles como
sendo: o racismo, a homofobia, a xenofobia, o menosprezo e as outra possíveis
práticas preconceituosas. Avigorando isso Dermeval diz:
“Da mesma forma, um obstáculo que é
necessário transpor, uma dificuldade que precisa ser superada, uma dúvida que
não pode deixar de ser dissipada são situações que se configuram como
verdadeiramente problemáticas” (Saviani p. 14)
Percebemos
que a necessidade de buscarmos conhecimento diminui a existência
de um problema:
“O afrontamento, pelo homem, dos problemas
que a realidade apresenta, eis aí, o que é a filosofia. Isto significa, então,
que a filosofia não se caracteriza por um conteúdo específico, mas ela é,
fundamentalmente, uma atitude; uma atitude que o homem toma perante a realidade.
Ao desafio da realidade, representado pelo problema, o homem responde com a
reflexão” (Saviani, 2007, p. 19)
É
nesse sentido que as práticas educativas unilabianas precisam caminhar, no
sentido de auxiliar os seus membros na reflexão sobre os problemas e as suas
resoluções, em não se contentar apenas com o que já foi dito, mas também com
aquilo que ainda se pode dizer. Por isso Rubem Alves[4]
afirmou que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”, “as palavras só
têm sentido se nos ensinarem a ver o mundo melhor” essas reflexões reforçam o
papel da Unilab nessa direção.
Saviani,
mostra ainda que reflexão significa voltar atrás, um repensar, ou seja, um
pensamento (re) pensado, reflexão é pensamento, é um pensamento consciente de
si mesmo, capaz de se avaliar, de verificar o grau de adequação que mantém com
os dados objetivos, de medir-se com o real. Refletir é o ato de retomar,
reconsiderar os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de
significado. É examinar devidamente, prestar atenção, analisar com cuidado. E é
isto o filosofar. É isso que precisa ser feito.
Essas
temáticas precisam fazer parte das abordagens educacionais da educação desta
universidade, pois entende-se que se o educador não tiver desenvolvido uma
capacidade de refletir profundamente, rigorosamente e globalmente, suas
possibilidades de êxito estarão bastante diminuídas. E as de seus educandos
serão menores ainda, e assim em diante as dos próximos será cada vez menor.
Assim sendo a filosofia da educação tem como função acompanhar reflexiva e
criticamente a atividade educacional de modo a explicitar os seus
funcionamentos esclarecer a tarefa e a contribuição das diversas disciplinas
pedagógicas e avaliar o significado das soluções escolhidas. Paulo Freire[5]
acrescenta que o pensamento sócio filosófico da educação ainda não está
superado.
Frantz Fanor psiquiatra,
filósofo
e ensaísta
marxista
francês da Martinica,
de ascendência francesa e africana,
Fortemente envolvido na luta pela independência da Argélia, foi um influente
pensador do século XX sobre os temas da descolonização e da
psicopatologia da colonização.
Analisou as consequências psicológicas da colonização,
tanto para o colonizador quanto para o colonizado, e o
processo de descolonização, considerando seus
aspectos sociológicos, filosóficos e psiquiátricos.
É um dos fundadores do pensamento terceiro-mundista.
Esse autor, em sua análise olha para os dois lados
da colonização, o do colonizador e o do colonizado. No documentário Atlântico
Negro também se nota esse olhar para os dois lado, sem querermos comparar os estrangeiros
e os nacionais, achamos importante que as práticas educativas da Unilab também
sejam direcionadas para os dois lados. Essas partes distintas precisam ser
conhecidas, entendidas e estudadas para que nenhuma seja subalternizada à
outra.
Severino Elias Ngoenha, filósofo moçambicano, professor
associado do Departamento de Antropologia e Sociologia da Universidade de
Lausanne, Suíça, fez as suas pesquisas na área de antropologia, pensamento
africano, filosofia da educação e interculturalidade. Defendeu a luta pela
integração social, ética e política, fala da reconstrução do pensamento
africano. Defende ainda que os filósofos deveriam fazer parte da política, e da
emergência da filosofia. Nessa direção acreditamos mais uma vez que a presença
desta nas universidades é de estrema importância, para a reflexão do saber.
Se continuarmos navegando sobre o pensamento dos
filósofos africanos, confirmaremos a importância de se conhecer ao fundo o
indivíduo do nosso convívio, com os quais (con) vivemos no dia a dia. Kwame
Anthony Appiah (Londres, 1954) é um filósofo e escritor anglo-ganês,
especializado em estudos culturais e literários. Atualmente é professor na
Universidade de Princeton. Ele defende que os africanos precisam entender que o
seu problema (problema da África) não é africano mais sim humano. Appiah
através da sua história de vida ele pôde incorporar toda uma situação
filosófica de reflexão.
Do mesmo modo acreditamos que qualquer problema de
integração, socialização, ensino ou aprendizagem presentes na Unilab, caso
existam, também não são de responsabilidades de uma só pessoa ou grupo, mas de
todos, pois somos todos humanos, e portadores de problemas individuais, que
podem se tornar coletivos.
O que pudemos aperceber de todos esses filósofos
africanos referidos a cima, é que a filosofia africana é importante, representa
esse povo, faz parte da reflexão do seu pensamento, e nos ajuda a entender
ainda que a África precisa ser refletida e pensada pelos africanos, e por
dentro dela, o pensamento precisa sair de uma visão de dentro dela para fora,
independentemente de quem a pense ou analise. E que novos filósofos possam
surgir com novas contribuições. Do mesmo modo a reflexão sobre a Unilab
precisam surgir de dentro dela, de seus participantes, dos que a conhecem, mas
para isso é necessário que o diálogo, a compreensão, o respeito, a tolerância e
não só se façam presentes.
No
documentário Atlântico Negro observamos que os escravos eram forçados a
esquecer a sua identidade (cultura), uma das frases desse documentário foi:
“Quem deixar a África de lado nunca vai conhecer o Brasil”. O que podemos
aprender com isso? Continuaremos a olhar o passado de forma negativa? Os
professores continuaram ensinando os seus conteúdos sem fazer diálogo entre a
diferentes culturas, histórias de vida, classe social, etc.?
Como
foi referido no início não é só a filosofia que pode contribuir na melhoria das
abordagens educativas da Unilab, a história, antropologia e sociologia também
têm seu papel importante. Pois estas nos ajudarão a conciliar as diferentes
histórias de vida, pois cada componente da Unilab tem um passado particular e
peculiar; as diferentes sociedades, constituição familiar e não só.
É
importante que a universidade conheça os seus alunos, professores e
funcionários em geral, e saiba quem são eles, de onde vêm e como pensam acerca
de cada assunto do cotidiano, para que a (con) vivência possa ser de forma mais
plena e respeitosa. A Unilab precisa de agora em diante pensar um pouco mais sobre
a sua prática pedagógica, de maneira que ela possa abarcar todas as pessoas sem
que aconteça que um grupo se sobreponha à outro, vice-versa, e que todos sejam
representados.
Referências
Documentário: Atlântico Negro na rota dos
Orixás
Narrativa
Autobiográfica
Relatório de pesquisa etnográfica.
SAVIANI,
D. Autores Associados. A filosofia na Formação do Educador/a in: Educação: do
senso comum à consciência filosofia. 15ª. ed. São Paulo: 2004
Seminário sobre Filosofia Africana no
pensamento de: Frantz Fanon, Severino
Elias Ngoenha, Kwame A. Appiah
http://pensador.uol.com.br/frase/ODc0MjY5/
acessado em 06/08/2016 as 16 horas.
http://www.ead.ifba.edu.br/file.php/325/demerval_saviani_-_do_senso_comum_consciencia_filosofica_1_.pdf
acessado em 11/08/2016 as 22 horas.
http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/16/artigo181153-1.asp
consulta confirmada em 11/08/2016 as 22 horas.
[1]
Jessica Bandeira, estudante do sétimo trimestre do curso de licenciatura em
Letras-Português do IHL – Instituto de Humanidades e Letras, da Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB
[2]
Relato de sala de aula, fundamentos psicossociais da aprendizagem.
[3]
Pensador
[4]
Relatos de sala de aula, presentes no pensador.
[5]
Apontamento feito em sala de aula no dia 02/06/16