Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

As contribuições filosóficas para as práticas educacionais e pedagógicas da Unilab


Olá, esse trabalho foi escrito quando eu me encontrava no sétimo trimestre do curso de Letras, hoje já sou graduada. Não mudei nada do trabalho, justamente para manter esse olhar que eu tinha na época em que escrevi. Caso goste do trabalho, ou ele te ajude de alguma forma, deixe seu comentário, sugestões, críticas, etc. Com a sua contribuição vamos crescendo juntos. Ótima leitura para você!!


As contribuições filosóficas para as práticas educacionais e pedagógicas da Unilab.


 Autora[1]: Jessica R. Bandeira




Esse ensaio pretende mostrar algumas contribuições filosóficas e não só consideradas importante para às práticas educativas e pedagógicas na Unilab. Uma vez que esta se trata de uma universidade multicultural, que acarreta um cuidado e uma prática especial nas suas abordagens.



Sendo a Unilab uma universidade internacional, cearense e baiana, e ao mesmo tempo brasileira, com diferentes culturas e tipos de pessoas, num misto de nacionais e estrangeiros, tendo que viver e (con) viver todos os dias com esta multiculturalidade, incentivando o respeito e a integração de uns com os outros, aprendendo ou pelo menos tentando aprender mais sobre ambas as partes, é importante, de vez em quando ou sempre, tentar perceber como essa (con) vivência acontece. Se o almejado respeito às diversidades raciais, de género, social, cultural e não só são alcançados.
Por esses e outros motivos, esse ensaio visa mostrar e analisar as questões(contribuições) filosóficas, que são muito importantes para a integração, respeito, aprendizado, ensino e socialização na Unilab, tendo em mente que a integração não se restringe apenas em conhecer uma pessoa ou uma cultura, mas sim em duas pessoas ou culturas diferentes se juntarem para desenvolver um bem comum para ambas as partes.  É preciso entender que importância tem a filosofia, assim como: a sociologia, a história, a antropologia na educação dessa comunidade.
Assim sendo, apresentaremos neste ensaio o pensamento de alguns pensadores africanos, brasileiros, e não só, e como eles poderiam ajudar com as suas contribuições nessas questões. Pois é de extrema importância que as abordagens educativas da Unilab sejam adequadas às diferentes sociedades nela existente, uma vez que as tentativas de se suprir algumas brechas de desigualdade social, de vez em quando, ou quase sempre, acaba-se sufocando determinada sociedade (das muitas vezes sociedades minoritárias), em detrimento da outra.
O respeito as culturas, ao meio social, às diversidades e variações linguísticas, oportunidades iguais às diferentes sociedades, e compreensão das diferenças também se fazem importantes. Nesse ensaio, tentaremos mostrar e analisar estas questões, e como elas podem melhorar estas práticas pedagógicas e educativas.
Seria de extrema importância se os educadores, principalmente os professores universitários parassem por um tempo e pensassem em abordagens alternativas para um ensino melhor. E refletissem sobre a melhor abordagem. Mas para isso seria de igual modo importante saber que não existe só uma abordagem boa, mas várias que se adequam uma a outra.
Nesse trabalho de reflexão nada seria de melhor ajuda do que a filosofia. Uma vez que a educação é a formação de pessoa e sua integração, a reflexão crítica sobre o sentido único desta, as implicações pedagógicas e escolares para a vida humana (pessoas) precisam ser feitas com abordagens educacionais de contribuições e reflexões filosóficas. Como disse Piaget[2], “é o professor quem ajuda o aluno a construir o seu conhecimento”. Paulo Freire[3] reforça, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria ou sua produção”
Desse assunto Dermeval Saviani, no capítulo 1 “A filosofia na formação do educador” da obra: Educação: do senso comum à consciência filosófica para a compreensão dos fundamentos filosóficos da Educação, traz algumas contribuições que são de extrema importância:
... a filosofia desempenha papel imprescindível na formação do educador. Tanto assim é que a Filosofia da Educação figura como disciplina obrigatória do currículo mínimo dos cursos de Pedagogia. Mas em que se baseia essa importância concedida à Filosofia? Teria ela bases reais ou seria mero fruto da tradição? Será que o educador precisa realmente da filosofia? Que é que determina essa necessidade? Em outros termos: que é que leva o educador a filosofar? Ao colocar essa questão, nós estamos nos interrogando sobre o significado e a função da Filosofia em si mesma (Saviani 2007, p.13)
Nesta ideia Saviani faz as pessoas (educadores e professores) pensarem sobre a importância da filosofia para a educação do professor, e a real importância desta. Sendo a filosofia a reflexão crítica, radical, sistematizada da compreensão sobre o sentido e o significado das coisas, das ações, do mundo e do que existe, nada melhor do que se basear desta para uma melhor prática pedagógica.
A primeira coisa que precisa ser feita nesse sentido, seria conhecer o real problema que a educação enfrenta nesse momento, no caso mais específico a Unilab. O autor supracitado deixou claro que é importante entender a noção de problema, a sua correta definição e empregabilidade “Qual é, então, a essência do problema?” (p.13). Fala do perigo do problema passar despercebido perante olhos desatentos. “Se o problema deixou de ser problemático, cumpre, então, recuperar a problematicidade do problema” e que é responsabilidade da filosofia buscar essa verdadeira essência da palavra.
 Como disse, Mário Sérgio Cortella, a “filosofia é a ciência dos porquês”, assim sendo quando essas “questões” são respondidas elas deixam de ser filosofia. Mais uma vez estamos perante a filosofia, que ajudará na compreensão e resolução das muitas questões educacionais, que ainda não foram respondidas e das que surgirão. Mas para isso é necessário que se conheça o “problema” relacionado as questões pedagógicas da Unilab. Saviani reforça isso:
Esta é a tarefa da ciência e da filosofia. Ora, captar a verdadeira concreticidade não é outra coisa senão captar a essência. A essência é um produto do modo pelo qual o homem produz sua própria existência. Ele não deve tomar como essência aquilo que é apenas fenômeno, isto é, aquilo que é apenas manifestação da essência. (Saviani, p. 13)
Entende-se aqui que a essência do problema é a necessidade. Quais seriam as grandes necessidades presentes na Unilab? Será que alguém já parou para pensar? Seriam essas necessidades importantes? E finalmente, essas necessidades existem, interessam alguém? Saviani afirma: “Algo que eu não sei não é problema; mas quando eu ignoro alguma coisa que eu preciso saber, estou diante de um problema” (Saviani p.14).
Está claro aqui a necessidade da universidade em conhecer as possíveis questões (facilitadoras/dificultadoras) relacionadas a integração dos seus membros, ao ensino e aprendizagem nesta, e não somente deixá-las passarem despercebidas, e mal resolvidas, pois em determinado momento, elas poderão ganhar proporções gigantescas, com resoluções mais difíceis. Podemos referir alguns deles como sendo: o racismo, a homofobia, a xenofobia, o menosprezo e as outra possíveis práticas preconceituosas. Avigorando isso Dermeval diz:
“Da mesma forma, um obstáculo que é necessário transpor, uma dificuldade que precisa ser superada, uma dúvida que não pode deixar de ser dissipada são situações que se configuram como verdadeiramente problemáticas” (Saviani p. 14)
Percebemos que a necessidade de buscarmos conhecimento diminui a existência de um problema:
“O afrontamento, pelo homem, dos problemas que a realidade apresenta, eis aí, o que é a filosofia. Isto significa, então, que a filosofia não se caracteriza por um conteúdo específico, mas ela é, fundamentalmente, uma atitude; uma atitude que o homem toma perante a realidade. Ao desafio da realidade, representado pelo problema, o homem responde com a reflexão” (Saviani, 2007, p. 19)
É nesse sentido que as práticas educativas unilabianas precisam caminhar, no sentido de auxiliar os seus membros na reflexão sobre os problemas e as suas resoluções, em não se contentar apenas com o que já foi dito, mas também com aquilo que ainda se pode dizer. Por isso Rubem Alves[4] afirmou que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”, “as palavras só têm sentido se nos ensinarem a ver o mundo melhor” essas reflexões reforçam o papel da Unilab nessa direção.
Saviani, mostra ainda que reflexão significa voltar atrás, um repensar, ou seja, um pensamento (re) pensado, reflexão é pensamento, é um pensamento consciente de si mesmo, capaz de se avaliar, de verificar o grau de adequação que mantém com os dados objetivos, de medir-se com o real. Refletir é o ato de retomar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significado. É examinar devidamente, prestar atenção, analisar com cuidado. E é isto o filosofar. É isso que precisa ser feito.
Essas temáticas precisam fazer parte das abordagens educacionais da educação desta universidade, pois entende-se que se o educador não tiver desenvolvido uma capacidade de refletir profundamente, rigorosamente e globalmente, suas possibilidades de êxito estarão bastante diminuídas. E as de seus educandos serão menores ainda, e assim em diante as dos próximos será cada vez menor. Assim sendo a filosofia da educação tem como função acompanhar reflexiva e criticamente a atividade educacional de modo a explicitar os seus funcionamentos esclarecer a tarefa e a contribuição das diversas disciplinas pedagógicas e avaliar o significado das soluções escolhidas. Paulo Freire[5] acrescenta que o pensamento sócio filosófico da educação ainda não está superado.
Frantz Fanor psiquiatra,  filósofo  e  ensaísta  marxista  francês da Martinica, de ascendência francesa e africana, Fortemente envolvido na luta pela independência da Argélia, foi um influente pensador do século XX sobre os temas da descolonização e da psicopatologia da colonização. Analisou as consequências psicológicas da colonização, tanto para o colonizador quanto para o colonizado, e o processo de descolonização, considerando seus aspectos sociológicosfilosóficos e psiquiátricos. É um dos fundadores do pensamento terceiro-mundista.
Esse autor, em sua análise olha para os dois lados da colonização, o do colonizador e o do colonizado. No documentário Atlântico Negro também se nota esse olhar para os dois lado, sem querermos comparar os estrangeiros e os nacionais, achamos importante que as práticas educativas da Unilab também sejam direcionadas para os dois lados. Essas partes distintas precisam ser conhecidas, entendidas e estudadas para que nenhuma seja subalternizada à outra.
Severino Elias Ngoenha, filósofo moçambicano, professor associado do Departamento de Antropologia e Sociologia da Universidade de Lausanne, Suíça, fez as suas pesquisas na área de antropologia, pensamento africano, filosofia da educação e interculturalidade. Defendeu a luta pela integração social, ética e política, fala da reconstrução do pensamento africano. Defende ainda que os filósofos deveriam fazer parte da política, e da emergência da filosofia. Nessa direção acreditamos mais uma vez que a presença desta nas universidades é de estrema importância, para a reflexão do saber.
Se continuarmos navegando sobre o pensamento dos filósofos africanos, confirmaremos a importância de se conhecer ao fundo o indivíduo do nosso convívio, com os quais (con) vivemos no dia a dia. Kwame Anthony Appiah (Londres, 1954) é um filósofo e escritor anglo-ganês, especializado em estudos culturais e literários. Atualmente é professor na Universidade de Princeton. Ele defende que os africanos precisam entender que o seu problema (problema da África) não é africano mais sim humano. Appiah através da sua história de vida ele pôde incorporar toda uma situação filosófica de reflexão.
Do mesmo modo acreditamos que qualquer problema de integração, socialização, ensino ou aprendizagem presentes na Unilab, caso existam, também não são de responsabilidades de uma só pessoa ou grupo, mas de todos, pois somos todos humanos, e portadores de problemas individuais, que podem se tornar coletivos.

O que pudemos aperceber de todos esses filósofos africanos referidos a cima, é que a filosofia africana é importante, representa esse povo, faz parte da reflexão do seu pensamento, e nos ajuda a entender ainda que a África precisa ser refletida e pensada pelos africanos, e por dentro dela, o pensamento precisa sair de uma visão de dentro dela para fora, independentemente de quem a pense ou analise. E que novos filósofos possam surgir com novas contribuições. Do mesmo modo a reflexão sobre a Unilab precisam surgir de dentro dela, de seus participantes, dos que a conhecem, mas para isso é necessário que o diálogo, a compreensão, o respeito, a tolerância e não só se façam presentes.
No documentário Atlântico Negro observamos que os escravos eram forçados a esquecer a sua identidade (cultura), uma das frases desse documentário foi: “Quem deixar a África de lado nunca vai conhecer o Brasil”. O que podemos aprender com isso? Continuaremos a olhar o passado de forma negativa? Os professores continuaram ensinando os seus conteúdos sem fazer diálogo entre a diferentes culturas, histórias de vida, classe social, etc.?
Como foi referido no início não é só a filosofia que pode contribuir na melhoria das abordagens educativas da Unilab, a história, antropologia e sociologia também têm seu papel importante. Pois estas nos ajudarão a conciliar as diferentes histórias de vida, pois cada componente da Unilab tem um passado particular e peculiar; as diferentes sociedades, constituição familiar e não só.
É importante que a universidade conheça os seus alunos, professores e funcionários em geral, e saiba quem são eles, de onde vêm e como pensam acerca de cada assunto do cotidiano, para que a (con) vivência possa ser de forma mais plena e respeitosa. A Unilab precisa de agora em diante pensar um pouco mais sobre a sua prática pedagógica, de maneira que ela possa abarcar todas as pessoas sem que aconteça que um grupo se sobreponha à outro, vice-versa, e que todos sejam representados.

Referências

Documentário: Atlântico Negro na rota dos Orixás
Narrativa Autobiográfica
Relatório de pesquisa etnográfica.
SAVIANI, D. Autores Associados. A filosofia na Formação do Educador/a in: Educação: do senso comum à consciência filosofia. 15ª. ed. São Paulo: 2004
Seminário sobre Filosofia Africana no pensamento de:  Frantz Fanon, Severino Elias Ngoenha, Kwame A. Appiah
http://pensador.uol.com.br/frase/ODc0MjY5/ acessado em 06/08/2016 as 16 horas.





[1] Jessica Bandeira, estudante do sétimo trimestre do curso de licenciatura em Letras-Português do IHL – Instituto de Humanidades e Letras, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB
[2] Relato de sala de aula, fundamentos psicossociais da aprendizagem.
[3] Pensador
[4] Relatos de sala de aula, presentes no pensador.
[5] Apontamento feito em sala de aula no dia 02/06/16

Sem comentários:

Enviar um comentário