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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Relação entre conceitos : língua, linguagem, linguística, sociedade, cultura e pensamento.

A língua é um fenômeno social, assim sendo, ela está inserida numa sociedade, essa sociedade tem uma cultura, que por sua vez tem um jeito diferenciado de pensar, ou seja, seu pensamento é particular distinto das outras culturas, que expressa esse pensamento através de uma linguagem especifica, com seus mais variados desafios linguísticos e culturais e sociais.
 Este fenômeno social permite o homem que está inserido numa sociedade aprender a falar, pois sabemos que este, quando nasce está programado para falar, mas o acionamento desse potencial, inscrito no seu código genético, não se manifesta numa situação de isolamento, mas se desenvolve espontaneamente numa comunidade de falantes. Essa aptidão para a linguagem é um traço genético, mas a língua (materna) só se adquire quando o indivíduo está inserido numa comunidade ou sociedade. Notamos que nos casos das crianças selvagens (que cresceram sem contato humano): todas apresentam um atrofiamento da aptidão da linguagem. As condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos, gerando certas variações na maneira de empregar uma mesma linguagem.
A língua é uma marca de identidade de um povo, e a fala é a afirmação desse povo, com estas o povo exerce a sua cidadania, opinião e ideias, repassam e transmitem o seu pensamento. William Labov atribuir, em sua perspectiva, valores sociais às regras linguísticas, perfazendo uma variação de determinado aspecto da língua, mostrou que os indivíduos aprendem sua função social e adquirem sua identidade cultural através desta. Falou ainda que ao nascer, o indivíduo é inserido num contexto socioeconômico cultural pré-existente e, à medida que cresce, participa de um processo de socialização que o transforma num falante de uma determinada variedade da língua, sob influência do meio social em que vive.
            Durante a fala do indivíduo, sua estrutura social é reforçada, formando, assim, a identidade cultural peculiar do indivíduo, visto que seu modo de falar é identificado com a maneira de viver do grupo social e da localidade onde mora. Nesse contexto a linguística entra com as suas mais particulares formas de estudar a língua e a sua variação de acordo com a sociedade e cultura onde esta está inserida.
Labov reforça isso quando diz que durante qualquer estudo de uma comunidade linguística, podemos constatar efetivamente a existência de uma diversidade ou de uma variação, de modo que a característica desta comunidade seja sua peculiaridade na forma de falar, chamada pela Sociolinguística de variedades linguísticas.
“Ela [a língua] é mesmo por excelência o índice das mudanças que se operam na sociedade e nesta expressão privilegiada da sociedade que se chama a cultura.” Esta frase entre aspas faz parte de “Estrutura da língua e estrutura da sociedade”, trabalho em que Émile Benveniste (1974) discute, fundamentalmente, questões relacionadas ao estudo dessas grandes entidades: língua e sociedade. Impossível se torna separar o termos: língua, linguagem, cultura, sociedade, pensamento e linguística, pois ambos os termos estão interligados na sua essência. Não se pode falar de um sem que outro apareça para dar a sua contribuição.

Mas podemos concluir que a linguística consegue elencar esses termos num só contexto, pois entendemos que os membros de uma comunidade da fala podem possuir um repertório linguístico que está propício à variação, dependendo do nível escolar em que se encontram, assim sendo o pensamento desse povo estará expresso, no seu modo de falar, agir e de se comportar, carregados de sua cultura, linguagem e conceitos sociais.

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