Relação entre conceitos : língua, linguagem, linguística, sociedade, cultura e pensamento.
A
língua é um fenômeno social, assim sendo, ela está inserida numa sociedade,
essa sociedade tem uma cultura, que por sua vez tem um jeito diferenciado de
pensar, ou seja, seu pensamento é particular distinto das outras culturas, que
expressa esse pensamento através de uma linguagem especifica, com seus mais
variados desafios linguísticos e culturais e sociais.
Este fenômeno social permite o homem que está
inserido numa sociedade aprender a falar, pois sabemos que este, quando nasce
está programado para falar, mas o acionamento desse potencial, inscrito no seu
código genético, não se manifesta numa situação de isolamento, mas se
desenvolve espontaneamente numa comunidade de falantes. Essa aptidão para a
linguagem é um traço genético, mas a língua (materna) só se adquire quando o
indivíduo está inserido numa comunidade ou sociedade. Notamos que nos casos das
crianças selvagens (que cresceram sem contato humano): todas apresentam um
atrofiamento da aptidão da linguagem. As condições sociais influem no modo de falar
dos indivíduos, gerando certas variações na maneira de empregar uma mesma
linguagem.
A
língua é uma marca de identidade de um povo, e a fala é a afirmação desse povo,
com estas o povo exerce a sua cidadania, opinião e ideias, repassam e
transmitem o seu pensamento. William Labov atribuir, em sua perspectiva,
valores sociais às regras linguísticas, perfazendo uma variação de determinado
aspecto da língua, mostrou que os indivíduos aprendem sua função social e
adquirem sua identidade cultural através desta. Falou ainda que ao nascer, o
indivíduo é inserido num contexto socioeconômico cultural pré-existente e, à
medida que cresce, participa de um processo de socialização que o transforma
num falante de uma determinada variedade da língua, sob influência do meio
social em que vive.
Durante a fala do indivíduo, sua
estrutura social é reforçada, formando, assim, a identidade cultural peculiar
do indivíduo, visto que seu modo de falar é identificado com a maneira de viver
do grupo social e da localidade onde mora. Nesse contexto a linguística entra
com as suas mais particulares formas de estudar a língua e a sua variação de
acordo com a sociedade e cultura onde esta está inserida.
Labov
reforça isso quando diz que durante qualquer estudo de uma comunidade linguística,
podemos constatar efetivamente a existência de uma diversidade ou de uma
variação, de modo que a característica desta comunidade seja sua peculiaridade
na forma de falar, chamada pela Sociolinguística de variedades linguísticas.
“Ela
[a língua] é mesmo por excelência o índice das mudanças que se operam na
sociedade e nesta expressão privilegiada da sociedade que se chama a cultura.”
Esta frase entre aspas faz parte de “Estrutura da língua e estrutura da
sociedade”, trabalho em que Émile Benveniste (1974) discute,
fundamentalmente, questões relacionadas ao estudo dessas grandes entidades:
língua e sociedade. Impossível se torna separar o termos: língua, linguagem,
cultura, sociedade, pensamento e linguística, pois ambos os termos estão
interligados na sua essência. Não se pode falar de um sem que outro apareça
para dar a sua contribuição.
Mas
podemos concluir que a linguística consegue elencar esses termos num só
contexto, pois entendemos que os membros de uma comunidade da fala podem
possuir um repertório linguístico que está propício à variação, dependendo do
nível escolar em que se encontram, assim sendo o pensamento desse povo estará
expresso, no seu modo de falar, agir e de se comportar, carregados de sua
cultura, linguagem e conceitos sociais.
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