CARELLI,
Fabiana. Diversidade Categorial no Cinema
Africano (de Língua Portuguesa): Identidade e Sujeito.
Universidade de São Paulo
Este artigo trata do surgimento e de como se desenvolve o cinema africano
nos países de língua portuguesa, a autora faz referência que se começou
primeiramente a se falar da literatura africana no Brasil, concretamente na
Universidade de São Paulo, deixou a entender que sobre esta última já se tem
muito estudo realizado, mas que sobre o cinema quase nada ainda se tem. Fala
ainda de muitos trabalhos de pesquisas sobre este assunto desenvolvidas por si,
e por outros pesquisadores, com o intuito de mais se saber sobre tal assunto,
pouco conhecido. Faz também referências à obras (filmes, longas e curtas
metragens e musicais) produzidas e realizadas por atores africanos de língua
portuguesa, com ou sem apoio de outros países africanos ou não africanos.
O texto foi escrito e dividido com três subtítulos, sendo eles: uma
identidade coletiva?, sujeito(s)?, paradigmas “universais”, construções culturais,
tem vinte e três páginas, a autora faz recurso de imagens devidamente
legendadas destes filmes, e links de sites que direcionam o leitor a um maior
aprofundamento da leitura, sendo que esses recursos facilitam a leitura, no
final como se é de esperar encontramos a referência, os sites visitador e os
filmes dos quais foram feitas referências no decorrer da leitura.
A autora fala que apesar do desconhecimento do cinema africano, depara-se
ainda com o fato dessa produção ser consideradamente cara, fala também dos
sequentes acontecimentos que ocorrem nesses territórios africanos (o fato de
sofrem frequentemente com instabilidades naturais, sociais e políticas, como
secas, guerras, golpes de Estado, etc.). Levanta ainda uma questão referente ao
fato da distribuição sobre (quem vê/compra filmes produzidos em África?), há
inúmeras questões conceituais envolvendo o estudo dessas produções.
Fala das inúmeras dificuldades de se estudar esse assunto e estabelecer
categorias, pois segundo ela, a primeira delas, seria sem dúvida, a própria
categorização desses filmes como “cinema africano de língua portuguesa”. Pois
questiona que para começas teria que saber o que seria um “cinema africano”? Se
haveria um nível de generalização assim possível e pertinente, a ponto de se considerar
uma produção fílmica como possuidora de características de proporções
continentais, e não especificamente nacionais? Além disso, de que modo falar de
um cinema especificamente “africano”, a partir do momento em que nomeamos uma
forma/linguagem (audiovisual) e uma técnica cinematográfica) criadas e
desenvolvidas em contextos europeus e norte-americanos?
Segundo o artigo a apreciação de Ruy Duarte de Carvalho a respeito do que
deveria ser o trabalho do chamado “cineasta africano”, de acordo com o
manifesto de 1975, também aponta alguns traços que marcarão muitas das
produções cinematográficas pan-africana no pós independências: a adesão à assim
considerada “cultura popular”: a concepção do cinema como “análise social”; e a
“inspiração na realidade”, numa tentativa de “descolonizar” o discurso fílmico
contra uma imagem “eurocêntrica” de África e “dar voz” aos “subalternos”
historicamente calados pela dominação colonial.
É ressaltado no texto o pioneirismo moçambicano no sentido de abrir
caminhos para uma produção cinematográfica local nos países africanos recém
independentes de Portugal. A criação Do Instituto Nacional Do Cinema desse
país, em 1975, foi o primeiro ato cultural do governo recém empossado de Samora
Machel, empreendido apenas cinco meses após a independência e, ainda segundo
Manthia Diawara, demonstrava que, entre as prioridades do novo regime, estavam
a “descolonização da distribuição fílmica”, a produção de filmes nacionais e
sua distribuição dentro e fora de suas fronteiras.
É mostrado explicado de forma clara no texto que nem tudo no chamado no
“cinema africano de língua portuguesa” é, justamente, língua portuguesa. Pois
existe nesse países, para além dos falares regionais e nacionais (português
falado em Angola ou em Moçambique, por exemplo, com suas características e
mesclas locais), alguns cineastas, como o guineense Flora Gomes, vêm escolhendo
propositalmente veicular seus filmes em língua crioula que demonstra que nem
mesmo o critério da língua consegue se constituir enquanto categoria totalmente
pertinente na classificação e análise dos filmes de que foi tratado neste artigo e que a escolha da língua é, nesses contextos,
uma clara questão de escolha política e cultural.
Dos filmes abordados no artigo, o filme “o jardim do outro homem”,
dirigido pelo moçambicano Sol de Carvalho e lançado em 2006, foi o terceiro
longa-metragem em película de Moçambique e o primeiro após vinte anos de
estagnação do mercado cinematográfico no país. Teve um orçamento estimado em
850.000 euros, bastante caro para um filme produzido em África, numa produção
cuidada, financiada por Portugal, Moçambique e França. Com um argumento
bastante simples, embora objetive constituir se enquanto um retrato pungente de
importantes questões da sociedade moçambicana contemporânea. Neste filme a
protagonista Sofia, estudante de Maputo que cursa seu último ano do Ensino Médio,
é pega ensinando um colega o conteúdo no momento da prova de biologia, por esse
motivo é assediada sexualmente pelo seu professor, constantemente, com a
justificativa dele de esquecer o ocorrido, caso aluna vá para cama com ele. Enquanto
isso, ela enfrenta problemas com o namorado e com a família.
Feito grandes considerações sobre as atividades artísticas destes países,
a autora mostra que as dificuldades ou problemas considerados ou já
ultrapassados no Brasil, lá em momento algum se configuraram como tal. É
importante salientar que a iniciativa da autora em estudar, analisar entender e
compreender o cinema africano, e as suas peculiaridades, vale ressaltar que as
contribuições por elas trazidas são de grande apoio e relevância, mas do mesmo
modo não se pode deixar passar em branco uma pequena, mas significante
inadequação da autora, em atribuir a mesma data de independência a todos os
países africanos de língua portuguesa, pois isso não corresponde na verdade,
principalmente se falando da Guiné-Bissau considerada pioneira nesse processo
de libertação.
O artigo é de estrema importância para os estudantes de letras,
literaturas, jornalismo e áreas afins, e que se interessam pelo cinema,
principalmente, cinema africano de língua portuguesa, assim sendo sugerimos a
leitura deste artigo.
Fabiana Buitor Carelli possui Bacharelado em Letras - Português pela
Universidade de São Paulo (1993), Licenciatura em Letras - Português pela
Universidade de São Paulo (1996), Mestrado em Letras (Teoria Literária e
Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (1997), Doutorado em
Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo
(2003), Pós-Doutoramento pela University of Minnesota (2010) e graduação em
Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas - SP (1989). Atualmente é
Professora Doutora da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de
Letras, com ênfase em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa,
atuando principalmente nos seguintes temas: Estudos Comparados de Literaturas
de Língua Portuguesa, Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e Literaturas
Brasileira e Portuguesa, com enfoque nas relações entre cultura e política,
literatura e oralidade, literatura e cinema.
Sou Jessica Bandeira, estudante do sétimo trimestre do curso de
licenciatura em Letras-Português do IHL – Instituto de Humanidades e Letras, da
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB.
Sem comentários:
Enviar um comentário